terça-feira, 31 de maio de 2011

NASCE UM FILHO (A), NASCE UM PAI!

Não poucos haviam me falado que eu não levava jeito para crianças. Chegaram até mesmo perguntar como eu seria quando eu tivesse minha filha, por ser demais desajeitado. Pegar recém nascido no colo, nem pensar, pois eram muito mole. E falar com crianças? Um dia em uma visita pastoral a casa de uma mãe com um recém nascido, minha esposa fez questão que colocar a criança em meu colo, e eu todo trêmulo e inseguro fiquei com ele um pouco nos braços. Até que ela disse: fala com ele, com voz fina rs... Como? Voz fina, não sei fazer isso, e a minha interação com a criança foi: “Eai neném” com se eu estivesse falando com um mano rs.. E é lógico que todos riram.. 
         Até mesmo eu duvidei do meu potencial patrístico rs..., quem sabe pelo fato de já ter levado muitos baques na vida, e minhas emoções se tornarem mais comedidas. Mas eu estava enganado. Confesso que não fiz como muitos no dia do nascimento da Rebeca, enquanto muitos choraram ao ouvir o primeiro choro dela, eu estive contido, quem sabe vergonha, temor, mas segurei. No entanto um sentimento inexplicável invadiu meu coração a tal ponto que eu cheguei a dizer, que “nem mesmo no meu casamento eu havia sentido tal”, pois daquele chorinho desesperado da minha filha em diante, algo nasceu dentro de mim, como um súbito instinto paterno, que começou a ensinar como proceder com a criança, mesmos em saber. Consegui pegar corretamente minha filha nos braços, dar carinho, e alguém que eu nunca havia visto, a não ser no ultrassom, passei a amar instantaneamente. 
          Mas ainda eu não estava completo, faltava um pouco mais. Ao receber alta, já na casa da minha sogra, minha filha começou a dar alguns sinais preocupantes, não chorava, não mamava, não acordava, enfim, não reagia. Minha esposa ligou para uma prima que é pediatra em Cuiabá-MT, e sua consulta foi exata, a neném estava com a glicemia baixa. Mesmo sem saber do que se tratava tal glicemia, percebemos que era algo sério, e o conselho da médica era que desse Nan já que não tinha forças para mamar. Naquele momento, descobri de fato o que era ser pai. Deu um nó na garganta, um desespero, uma vontade de chorar pela impotência em que nos encontrávamos, e mesmo assim, eu deveria parecer forte, pois minha esposa também estava abalada. Aquele sentimento é indescritível, pois nunca havia sentido aquilo antes, um amor arrebatador, misturado com compaixão e humanidade, foi mais ou menos isso que senti. No outro dia, a levamos a médica que a acompanhou no hospital, e ao medir o índice de glicose (um furinho no dedo), a prima médica estava certa, o valor era 56, e segundo a médica, 49 era caso de internação. Como nos sentimos? Precisa dizer? Descobri o que era ser pai... A médica orientou que então administrasse Nan a Rebeca de três em três horas, até que seu índice voltasse ao normal. Três dias depois novamente outro furinho no dedo, e os números nos animaram e a Rebeca já estava com 106, e um UFAAA bem grande nos fez respirar normalmente. 
          Depois deste susto, (ficamos sabendo que isso é normal a muitas crianças), descansamos o coração. Hoje a Rebeca está mamando normalmente, sua saúde está muito bem, e em nossos lábios há uma eterna gratidão a Deus, pela “Herança que nos deu” como diz o salmo 127.3. Ao olhar as suas mãozinhas, boca, e tudo com extrema perfeição, nos encantamos cada dia mais com o presente de Deus em nossa vida. 
          Hoje ainda mais percebo que Deus me deu uma guerreira, minha esposa, pois incansavelmente tem cuidado de nossa princesa (o que é cansativo). E nós homens deveríamos reconhecer que as mulheres nos dão um show em muitas coisas. 
          Hoje continuo sem falar fino rs..., mas aprendi a conversar e brincar com a Rebeca de uma maneira que ninguém precisou me ensinar. Sinto saudades dela mesmos estando junto todos os dias, e por vezes vou ao seu berço somente para olhá-la e babar rs... Estou aprendendo com minha esposa a cuidar e dar banho etc., e o restante que me faltava, nasceu juntamente com a Rebeca, pois sei que “Quando nasce um filho (a), nasce um Pai!”                       

Deus é Fiel e nós somos prova disso! Obrigado        

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7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. "Encorujou" total, hein!!!! rsrsrsr
    Que legal. Também não sabia que ser pai era tão emocionante, mas agora que sou "tri-pai" já deu para saber que se necessário for morro por eles!
    Gosto muito do que diz Rubem Alves sobre ser pai: "É fácil demais ser pai biológico. Pai biológico não precisa ter alma. Um pai biológico se faz num momento. Mas há um pai que é um ser da eternidade: aquele cujo coração caminha por caminhos fora do seu corpo. Pulsa, secretamente, no corpo do seu filho (muito embora o filho não saiba disso).
    Mas, prepare-se: pior do que não saber ser pai, é ser pai e ter de deixá-los voar para longe do ninho!!!
    Abraço. Parabéns!

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  3. Uma experiência incomparável, adocica a vida de um homem, e se torna um pai... Parabéns Jean!

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  4. que experiência linda eim pastor, fico feliz por vc e pela Isa.
    saudades sua filha é linda, espero q eu possa ainda ve-la bebê.
    Paz do Senhor

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  5. OLÁ PASTOR QUE LINDO ESTE TEXTO!!!SER PAI É UMA BENÇÃO!!!QUANDO FUI MÃE QUE PEGUEI MEU BEBÊ NO COLO PELA PRIMEIRA VEZ CHOREI QUASE QUINZE MINUTOS, EU NÃO CONSEGUIA PARAR DE CHORAR DE TANTA ALEGRIA E GRATIDÃO A DEUS!!! SABE NAVEGANDO ENCONTREI ESTE PRECIOSO BLOG E QUE BENÇÃO ESTE ENDEREÇO ESTAREI ACOMPANHANDO SEMPRE QUE POSSÍVEL.DIANA.

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  6. Acho que com o primeiro filho(a) tudo deve ser um susto!!!

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  7. muito bom Jean, desculpe pela demora.
    mais fico legal quando meu sobrinho nasceu
    eu ja fiquei meio bobão eu q tambem num sei muito
    mexer com crianças. tipo assim EAI NENÊ.
    mais é assim mesmo.

    t+

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