quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A providência no caminho! Jo. 6.1-15 - 22-59

A multidão errante e sem perspectivas de sua existência, encontra no caminho, a providencia sem precedentes.

            Se voltarmos nossos olhos a pelo menos dois mil anos atrás, a boa notícia não será de política, embora alguns a encararam como uma esperança nesse sentido. A boa notícia não é econômica, embora alguns acreditaram que Israel novamente voltaria aos seus dias áureos, como foi nos tempo de Davi e Salomão. A boa notícia é que uma luz de esperança apontou no fim do túnel. E o maior assunto em Jerusalém e região dos últimos anos, é que um homem simples, de Nazaré, caminha com pecadores, cobradores de impostos, prostitutas etc. Alguns creem, outros duvidam. Uns o chamam de filho de Davi, outros de blasfemo e pecador. Enfim, ele é um novo paradigma em Israel, um líder nunca visto antes. Então vamos atrás dele...
           
A multidão mesmo errante segue Jesus. Talvez curiosa ou crédula, pois Cristo faz aquilo que há muitos anos não se vê: Sinais!

            Não só nos relatos da multiplicação dos pães e peixes, numerosa multidão segue Jesus. Por que o seguia? O que Ele tem para oferecer? Será que ela aguardava um sinal? O texto no vrs. 2 nos informa que sim, sinais são a causa da multidão em um primeiro momento, a busca de Jesus. Todavia, a multidão sem perceber se entrega no tempo e no espaço. Estão longe de casa em pleno deserto, o dia vai declinando, não se alimentaram, estão atentos a cada movimento do Mestre de Israel. Eles querem vê-lo, tocá-lo, senti-lo. O que a multidão tem de esperança nesse momento? O Judaísmo há muito tempo se degenerou em mero legalismo. As lideranças se tornaram opressoras, Deus havia ficado mais de quatrocentos anos sem se comunicar com seu povo. O óbvio aconteceu, a boa notícia, a mais falada e comentada em Israel, é que Jesus está dando sinais visíveis de que ele é o Cristo, filho do Deus vivo, o messias esperado. A multidão errante, não tem outra perspectiva a não ser, seguir os passos do novo mestre de Israel.
           
            A multidão errante prepara um caminho para Cristo trabalhar a fé dos discípulos!

            Este é o único milagre da bíblia sagrada que aparecem nos quatro evangelhos. Mas em João, ele se torna peculiar, pois se nos três anteriores os discípulos se preocuparam com a multidão, neste evangelho é Jesus o meio da ação. No vrs. 5 o texto nos informa que Ele testa a fé de Felipe, “Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer” v.6. O controle e soberania de todas as coisas estavam e estão com Ele. Enquanto nos três primeiros evangelhos a alternativa apontada pelos discípulos era, “Despede-os, para que vão aos lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem pão para si; porque não têm que comer” Mc. 6.36., em Cristo a solução já estava pronta, a providência já estava a caminho. Felipe incrédulo responde ao Senhor, precisamos de pelo menos duzentos denários ou dinheiros e ainda assim não bastarão para essa multidão. Vale lembrar que um denário correspondia a uma jornada de trabalho, logo, precisaria de duzentos dias de trabalho para alimentar a multidão. Quase impossível não é mesmo? Mas eles ainda não conheciam o Deus da providência em Cristo Jesus.

            A multidão errante, mesmo sem saber, está colaborando para o milagre que está a caminho!

            Nos evangelhos anteriores Jesus da um imperativo aos discípulos: Dai-lhes vós mesmos de comer. Aqui em João, já aparece os discípulos representados por André, dizendo que havia um rapaz que tinha cinco pães e dois peixes, mas emenda: “mas isto que é para tanta gente”. Ou seja, não resolveria o problema de forma nenhuma. Diante da impossibilidade, Jesus transforma em possibilidade. O que a multidão tinha? Já foi dito, apenas cinco pães e dois peixes. Jesus sabe usar o que tem nas mãos. Jesus sabe o valor das pequenas coisas, e sabe que o milagre de Deus, nem sempre vem do macro, mas do micro. Assim foi com Moisés, o pequeno cajado bastou para abrir o grande mar. Assim foi com Sansão, uma queixada de jumento se tornou arma para matar mais de mil, e assim foi com Elias, uma pequena nuvem do tamanho da mão de um homem, regou toda Israel e floresceu seus campos. Jesus pede para que a multidão se assente em grupos, e agradece o que tem nas mãos, e reparte entre todos. Absolutamente todos se saciaram, e ainda sobraram dos pães, doze cestos cheios.

            A multidão ora errante, não só experimente a providência divina, mas também prova de mais um sinal messiânico!

            Se a motivação da multidão era ver sinais, ai está. No meio desse processo, muito mais do que milagre se efetuou. Jesus se compadece da multidão, pois “estavam desgarradas como ovelhas que não tem pastor”; Jesus passa a ensiná-las; Jesus não só se compadece, mas sua compaixão se torna em ação, “daí-lhes de comer”; Jesus trabalha a fé dos discípulos; Jesus trás providência a multidão faminta e Jesus mais uma vez, manifesta um sinal messiânico. O caminho a partir daqui esboçado por Jesus a multidão, estava muito além de milagres, sinais ou providência divina. Jesus queria mais que isso, um caminho mais nobre, o caminho do evangelho. A providência que Jesus intentava no coração da multidão, era que o buscassem além dos sinais, mas o buscassem como o Cristo, filho do Deus vivo!

Jesus deseja ensinar um novo caminho a multidão, um caminho para que conheçam o verdadeiro pão, o pão que desceu do céu! - Jo. 6.22-59

            Jesus está caminhando com a multidão, a alimenta, a consola, mas chegou a hora de exortá-los a motivação correta. O que Jesus percebe e só Ele tem esse poder - o de conhecer o coração dos homens - é que a multidão, não o busca somente pelos sinais. Sinais aqui apontados por Jesus, como messiânicos. Se no início do capítulo seis, o texto nos diz que o povo o buscava por causa dos sinais que ele fazia, no verso vinte e seis, Cristo trás uma forte acusação, “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes” v.26. A multidão já tem sinais suficientes para crer. Mas a pergunta que não quer calar é: então porque não creram? O que Jesus está dizendo é que pelos sinais miraculosos realizados por Ele, a multidão deveria crer e muito, mas ao contrário, os sinais já não são novidade, já não importam, a multidão busca Cristo por benefícios do aqui e agora, ou seja, Ele a alimenta.

Jesus deseja saciar a verdadeira fome da multidão.

            Não, eles ainda não entenderam, ainda não conseguem crer, e continuam a indagar a Cristo. “Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?” v.30. O capítulo seis de João muito se assemelha aos nossos dias. Uma multidão faminta, não pelo pão da vida, o pão que desceu do céu, mas pelo pão de cada dia somente. Talvez temos aqui um resumo de todo evangelho, o evangelho que ensina buscarmos primeiro o Reino de Deus, e as demais coisas desta terra nos serão acrescentadas. A multidão titubeia, vacila e se contradiz, no vrs. 14 eles mesmos afirmam, “Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo”. Mas por que depois duvidam? Porque ainda não conheceram a Cristo de fato, ainda não entenderam o caminho que devem seguir. O caminho que Cristo quer ensinar a multidão é o caminho da fé Nele mesmo, como enviado de Deus. Jesus quer ir muito além da comida que perece, mas aponta para um banquete eterno que só Ele e por Ele pode ser proporcionado, “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” v.35. Jesus quer ser muito mais que uma providência do aqui e agora, Ele sinaliza para algo nobre, sublime, que terá desdobramentos eternos. Quem comer o pão que desceu do céu, jamais terá fome, será saciado para sempre. A providência para eles significa apenas saciedade para esta vida. Cristo está além do caminho errante da multidão, Ele encerra os discursos acerca do pão afirmando que quem não comer Dele, ou seja, da sua carne e sangue, não teriam vida eterna.

Jesus é o único caminho que pode livrar a multidão da perdição.


            Se a multidão necessitava de uma direção, um norte, um foco, agora ela encontrou, o caminho chama-se Cristo. Ele em sua missão dada pelo pai, trás garantias à aqueles a qual o pai deu a Ele. “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” v.39. O verdadeiro e único caminho que realmente Cristo está interessado, é o caminho conduzido e guiado pela fé Nele, pois através Dele nossa fome será saciada para sempre através da providência divina. Se alimente desse pão...

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