quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A ENTRADA E O GUIA NO CAMINHO


#UMCAMINHOPRAANDAR
(João 10:1-21)

Esta expressão do caminho desenvolve-se a partir da ultima declaração de Jesus acerca da jornada, ou seja, que ele é a LUZ DO CAMINHO. 

O fato da declaração ocorrer em um sábado foi suficiente para gerar uma confusão, o que dá início então a um confronto de Jesus com líderes judeus, mas agora com outra imagem, a do pastor e de suas ovelhas. 

Portanto, o caminho aqui adquire um contexto mais pessoal e distinto apontando assim para uma intimidade sutil entre o caminhante e o guia da jornada. 

A PORTA DO CAMINHO

Nas aldeias e nos povoados havia currais de uso comum, nos quais se refugiavam todos os rebanhos da aldeia quando retornavam de noite. Estes currais eram protegidos por uma porta muito forte cuja chave estava na mão do guardião da porta e de ninguém mais. A este tipo de curral que Jesus se refere nos versículos dois e três. 

Mas havia um segundo tipo de aprisco, que era usado nas estações mais quentes, quando o pastor podia levar as ovelhas para as colinas, mas sem a possibilidade de retornar a noite. Em tais épocas, as ovelhas eram reunidas em currais construídos nas serras, que nada mais eram do que espaços abertos cercados apenas por uma parede, havendo uma única abertura pela qual entravam e saíam às ovelhas. 

Neste caso era dispensável qualquer tipo de porta, pois o próprio pastor se deitava através desta abertura e nenhuma ovelha podia sair ou entrar sem passar por cima dele, assim, no sentido literal, o pastor era a porta. 

Portanto é esta imagem que Jesus tem em mente ao afirmar que ele mesmo é a entrada ao caminho. 

A entrada ao caminho se dá no convite que o próprio caminho faz ao caminhante, mostrando-se a este tanto como uma entrada às delícias que o caminho propõe quanto uma garantia de segurança em meio a jornada. 

Assim, a porta do caminho é tão viva quanto tudo aquilo que se pode aproveitar durante a jornada e tão segura quanto ao destino que o caminho propõe. 

O GUIA DO CAMINHO

Após dar ênfase sobre sua condição como a porta de entrada ao caminho, Jesus passa a falar da condução em meio a jornada. 

Na Palestina, o único responsável por um rebanho de ovelhas era o pastor, de maneira que se algo acontecia a elas, ele tinha que apresentar algum tipo de prova para demonstrar que não tinha culpa sobre o acontecido. 

Portanto, para qualquer pastor, era comum a ideia de arriscar a vida por seu rebanho e, de às vezes, fazer algo mais do que arriscar sua vida pelas ovelhas, devia entregar sua vida por elas. 

Isto acontecia em particular quando ladrões ou animais selvagens se aproximavam para atacar o rebanho. 

Mas no contexto judaico, o fato de que o pastor dava a sua vida pelas ovelhas, significa somente que ele estaria preparado para fazer isto, ou seja, ele deveria jurar esta disposição ao assumir algum rebanho. 

Contudo a morte de pastores por tais motivos deve ter sido muito rara, e até aquele momento, a intenção do pastor nunca seria morrer por seu rebanho. 

Julgando pela linguagem forte que usa, o bom pastor e guia da jornada aqui não está disposto a simplesmente arriscar sua vida pelas ovelhas que estão no caminho, mas a entregá-la por elas. 

Assim, o comprometimento do guia com a morte é precisamente o que o qualifica para ser o bom pastor e o mentor dos transeuntes do caminho. 

A palavra "bom", usada aqui para qualificar o guia da jornada, indica que a coisa ou a pessoa não só é boa, mas também na própria bondade há uma qualidade de atração, de beleza, que transformam esta bondade em algo perfeito. 

Portanto, quando João diz que Jesus é o bom pastor, aponta nele algo mais que eficiência, define nele a perfeição, assim, se a bondade do guia do caminho é inerente a sua natureza chamá-lo de bom é o mesmo que chamá-lo de Deus. 

Durante a II Guerra Mundial, quando um avião era atingido e ficava parcialmente danificado, a base enviava-lhe outro avião. 

O piloto deste avião recebia o nome de Pastor, pois tinha a função de cuidar do avião danificado, voando lado a lado e retornando a base onde o avião avariado estaria a salvo. 

O guia da jornada cumpre com perfeição este papel, pois garante aos caminhantes o retorno à segurança do lar.

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