quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Um Rei, um jumento e um caminho: a sutileza de Deus em favor da humanidade!


A Glória do Caminho!

Um Rei, um jumento e um caminho: a sutileza de Deus em favor da humanidade!

“No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém, Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor”. Jo 12.12-12
Significado de Nexo: “Ligação entre uma e/ou várias coisas - união. Vínculo, conexão entre circunstâncias, acontecimentos”.

Algumas palavras ou sentidos delas, nunca fariam significado ao povo judeu nos tempo de Jesus. Talvez o que mais se encaixaria com a narrativa do evangelho de João no cap. 12.12-19, é desnexo: Falta de nexo; desco­nexão, incongruência; ou ainda paradoxo: contradição; oposição aparente; opinião contrária ao senso comum.


Sim, que coisa estranha aconteceu em Jerusalém segundo o evangelista João. Um evento que iria chamar a atenção de toda nação, não está trazendo coerência, legitimidade, mas sim, um falso entendimento acerca de Cristo Jesus e de sua missão. Os elementos usados por Deus pai através da vida do Deus filho são um tanto “sem nexo” para o povo judeu, e também a nós se vivêssemos naquele período.


Cristo decide de uma vez por todas anunciar sua messiânidade, já que por várias vezes ele quis ocultá-la. Qual o propósito de ora ocultá-la, ora anunciá-la as pessoas em particular? Não temos claramente o porquê desse processo, mas uma coisa é certa, a hora da revelação chegaria. Alguns eventos apontavam para isso. 


E um deles foi revelado pelo próprio Cristo em Betânia, apenas seis dias antes da páscoa, quando Maria unge os seus pés, em João 12.7. Um dos discípulos se incomodou com o que Maria fizera, com seu ato de ungir e secar os pés de Jesus com seus cabelos, e também pelo menos em sua fala, em “desperdiçar” um alto valor naquela ação, quando ela poderia vender por trezentos dinheiros e dar aos pobres. O próprio texto faz justiça a passagem, denunciado os atos do discípulo incomodado, Judas Iscariotes, “O que havia de traí-lo”, dizendo: “Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava” (v.6). Jesus então profetiza: “Deixai-a! Que ela guarde isso para o dia que me embalsamarem” (v7). Após Betânia, a cada minuto se aproximava, o Gólgota de Jesus.


Jesus a essa altura já havia ressuscitado a Lázaro e a medida que sua fama corria e crescia, também crescia o ódio dos principais dos Sacerdotes e Fariseus a Jesus, e de quebra, agora além de quererem matar a Jesus, também querem a Lázaro. Não há mais tempo, é chegada a hora, Cristo deve se apresentar em Jerusalém, pois algo grandioso está para acontecer em todo país, e que mudaria para sempre a história da humanidade, ou seja, a morte de Jesus.


Jesus vai se apresentar em Jerusalém, mas usa meios um tanto “sem nexo” para executar sua ação. Jesus “achou um jumentinho” segundo João. Já os demais evangelistas dizem que Cristo mandou que dois dos seus discípulos fossem até o subúrbio de Jerusalém em Betfagé, no Monte das Oliveiras, e buscassem uma jumenta e um jumentinho (segundo Mateus); Um jumento que ninguém ainda montou (segundo Marcos e Lucas). Enfim, a condução usada por Jesus foi um jumento. E por que não um cavalo? Ou um Camelo? Não, deveria ser um jumento mesmo, por pelo menos duas razões, e a principal delas, é que Jesus estava cumprindo a risca, uma profecia de Zacarias que profetizou a mais de quinhentos anos, “Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta” Zc. 9.9. Segundo, um cavalo para essa época falava de batalha, de guerra. Já o jumento sinalizava paz, trégua, tranquilidade, quando um exército fazia seu uso. 


Jesus como Rei de Israel é reconhecido como tal pela forma que a multidão o saúda: “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor” (v.13). O ato de pegar ramos de palmeiras e balançar tinha um extremo significado, com esse movimento a multidão estava declarando que agora chegaria a paz e a prosperidade sobre Jerusalém, agora era o momento em que Jerusalém seria liberta das garras do Império Romano. E por um longo caminho e por pelo menos duas multidões, a que vinha de Betânia, e a que caminha em direção a Jerusalém repetiram esse gesto e também as falas, Hosana, Hosana, Hosana. O Rei de Israel veio sim, também veio em nome do Senhor, mas não veio nem por esse, e nem pra esse caminho, o de libertar Israel de Roma.


O caminho percorrido por Jesus não era o caminho do palácio, do poder, da autocracia, o caminho era outro, extremamente diferente do que a multidão pensava. O caminho da multidão apontava para um rei terreno, do aqui e agora. Um rei político, diplomata e negociador. O caminho da multidão apontava para um rei forte, beligerante, astuto. Um rei despótico, lutador e perigoso.


Não, não. Isso sim não tem nexo. O caminho apontado pelo Pai e percorrido pelo filho, não levava a glória desta terra, mas a humilhação. Não levava ao palácio, mas ao Gólgota. Não levava a tranquilidade, mas a Cruz. Não levava a mordomia, mas a servidão. A multidão e os discípulos sem entender nada, e nem os caminhos e sutileza de Deus, se frustraram com suas convicções políticas. Somente após a morte e glorificação de Jesus, é que vão começar a entender o caminho percorrido e proposto por Jesus (v16). O caminho apontado por Jesus era tão simples, mas tão simples que era impossível a um rei tomá-lo. O caminho percorrido por Jesus, jamais um rei o utilizaria, ainda mais montado sobre um jumento. O caminho proposto por Jesus não significava nada à multidão que ainda não entendia os desígnios de Deus. Mas o caminho indicado por Deus foi o caminho do triunfo, o triunfo de Cristo sobre o pecado e a morte, e da própria humanidade conquistada por meio de Cristo.


Os caminhos apontados por Deus sempre serão o caminho do triunfo, não para exaltação do homem, mas para a glorificação de seu Filho. O simples gesto da tríade, Rei-Jumento-Caminho foi entendido pelas multidões como o princípio da esperança e prosperidade de Israel para aqueles dias. Para os Fariseus, mais um herege a ser combatido, pois as multidões o seguem, e como os próprios disseram, “o que estão ganhando com isso?”. Mas para o Pai, esse foi o gesto, mais sutil e triunfante da história, em favor da humanidade caída. Pai preparou o caminho que seu filho percorreria, caminho de dor, aflição e sofrimento, que resultaria no triunfo de Cristo, e consequentemente do resgate da humanidade.


Prepara–nos diariamente tal caminho, oh Senhor!

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